Cada tiro, cada melro!

sexta-feira, março 28, 2008

PIB: Polícia de Intervenção Bruta?

"Imagina o teu quotidiano durante a ditadura salazarista" - foi um tema de redacção proposto a uma turma de 12º ano, aquando do estudo da obra Felizmente Há Luar!... De entre os alunos dessa turma, houve uma alma que achou que a sigla PIB ficaria muito melhor em vez de PIDE. Ora... e tem razão: mais do que Polícia Internacional e de Defesa do Estado, é uma Polícia de Intervenção Bruta, ou não é? Enfim... mais vale gracejar do que chorar sobre estas palavras:
"... não podia dizer tudo o que queria porque corria o risco de ser preso pela PIB"

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Filiação? Um morto...

Só os nossos alunos para acharem que os cadáveres têm filhos. Ora leiam: "... Vittoria Vetra, uma filha de um dos cadáver cientista" (retirado de um resumo escrito por um aluno sobre a obra Anjos e Demónios, de Dan Brown). Reconhecem a língua? Pois, eu também não...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Padre António Vieira de batina e martelo em punho!

Não é por acaso que se diz que a língua portuguesa é traiçoeira: de facto, basta uma pequena alteração da ordem da frase ou de uma palavra (e às vezes nem é preciso ir tão longe), para mudar o sentido daquilo que se quer dizer... Num teste sobre o Sermão de Santo António ao Peixes, de Padre António Vieira, eu colocava a seguinte pergunta: "Todo o sermão é uma alegoria. Explica esta afirmação.". Resposta do aluno: "'Todo o sermão é uma alegoria' porque os peixes são pregados pelo Padre António Vieira" (é melhor nem comentar o conteúdo da resposta).
Nós a pensar que o senhor padre estava a falar com os peixinhos e afinal andou por aí a pregá-los (onde terá sido?)...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Narrador? Estou aqui!

Ora vejam esta resposta de uma aluna sobre a classificação do narrador quanto à presença:
Pergunta: Classifica o narrador quanto à sua presença. Justifica a tua resposta.
Resposta: O narrador é da minha presença porque participa na história.

A isto se chama viver o texto...

terça-feira, janeiro 22, 2008

"Quanto tempo é que demoras? Está calor..."

É de ficar com os cabelos em pé, não? Às vezes, pergunto-me se nós, professores, falamos a mesma língua dos alunos. Será que é tão difícil de perceber o que se pretende com uma questão do tipo "Localiza a acção no tempo"?
Num trabalho que eu solicitei a um grupo de alunos sobre o conto "A Ilha Desconhecida", de José Saramago (estamos a falar de um nível de 10º ano), incluí a pergunta referida. Resposta dos alunos:

- Húmido - "... e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio."
- Sol - "O Sol havia acabado de sumir-se no oceano..."

Atenção ao pormenor: justificaram com frases do texto!
O que fazer? Que língua falar? Como explicar? Espero que tenha sido uma vez sem exemplo...

quinta-feira, outubro 11, 2007

Cesário Verde ou Cesário Gay?

Realmente, os nossos alunos têm cada teoria, que alguns críticos literários (para não falar dos autores...) devem de dar voltas no caixão...
Num texto-expositivo argumentativo sobre Cesário Verde, escreveu um aluno:
Penso também que Cesário Verde era "gay", porque pelo que ele mostra na poesia,
ele tem medo de se apaixonar por qualquer tipo de mulher.
Pobre Cesário, ele que já se sentia humilhado no seu tempo... Se visse ou ouvisse isto...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Sobre o "verbo" "Leasing"

Numa aula em que um aluno me perguntava se existia o verbo dopar, um aluno fez uma brincadeira sobre o "verbo" "leasing", procedendo imediatamente à sua conjugação:
Estou liso
Estás liso
Está liso
Como seria de prever: riso geral na turma. Mas há que reconhecer: óptimo trocadilho! Afinal, os nossos alunos também revelam criatividade!

Inês de Castro: aquela que depois de morta foi... considerada louca!

Num teste sobre Os Lusíadas, mais concretamente sobre quatro estâncias do episódio de Inês de Castro, solicitava aos alunos que fizessem o retrato de Inês. Resposta:
Inês era uma rapariga bonita mas com alguns problemas psicológicos.
O amor faz destas coisas: leva as pessoas à loucura...